A depressão é um transtorno que não se restringe aos adultos. De acordo com estudos referendados pela Organização Mundial da Saúde, até os 14 anos de idade, 8% de crianças e adolescentes sofrem de depressão ao redor do mundo.
No Brasil, a taxa média, durante a vida, é de 15%. Especificamente entre crianças, 1,8%. Porém, com o advento da pandemia de Covid 19, os números cresceram assustadoramente. Segundo um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), 36% de pessoas com idades entre cinco e 17 anos, apresentaram sintomas de depressão e ansiedade por causa da Covid.
Segundo a psicologia Danielle Beltrame, de Jacarezinho (PR), a depressão infantil é provocada por alterações em neurotransmissores. Elas vão comprometer ou fazer surgir comportamentos inexistentes anteriormente. “O corpo diz algo que a criança não consegue verbalizar”, afirma. Segundo ela, o diagnóstico da depressão infantil é mais complexo porque diversos sintomas são similares a outros transtornos.
Assim como outros transtornos, a depressão entre crianças e adolescentes englobam fatores biopsicossociais. Ambientes estressores, traumas, mudanças drásticas na rotina, alterações significativas nos ambientes e hábitos, separações dos pais, familiares, amigos, troca de escola podem colaborar para o sofrimento infanto-juvenil.
Beltrame pontua que os sintomas são diferentes para crianças não alfabetizadas e aquelas que já estão no ambiente escolar. Para os primeiros, os sintomas são mais físicos. Elas costumam apresentar dores de cabeça, no estômago, no corpo, xixi, vômito, entre outros.
Quando já vão à escola, a criança já consegue verbalizar algumas sensações. Quando elas apresentam discursos de autodepreciação, agressividade, apatia, desinteresse, tristeza contínua, desesperança e até mesmo automutilação, são sinais que devem acender o alerta imediatamente.
O tratamento da depressão entre crianças e adolescentes, assim como em outras faixas etárias, envolve profissionais de diversas áreas. É fundamental a presença do psicólogo, psiquiatra, professores, terapeutas ocupacionais. Tudo dependerá de como o transtorno for diagnosticado. Além disso, uma rede de apoio familiar.
É fundamental que todas essas pessoas escutem o sofrimento das crianças e adolescentes com atenção e, principalmente, acolhimento. Quando estão depressivas, sentir-se seguro e confiar nos profissionais e rede de apoio pode colaborar para a remissão do sofrimento. Caso seja necessário medicamento, apenas o psiquiatra está habilitado para fazer a prescrição.
Outro suporte que pode dar resultados eficazes são as atividades ao ar livre. Brincadeiras são ideais para a externalização dos sentimentos e sensações causadoras do sofrimento. Danielle Beltrame frisa que somos pessoas singulares. Uma depressão na infância não significa, necessariamente, que vai se estender até a vida adulta. Claro que está se levando em conta que a pessoa passe por tratamento e acompanhamento.
Diante desse desafio, Beltrame pontua a importância de estar atento, dialogar com a criança e não confundir episódios de birra como sintomas. “Na dúvida, sempre é melhor procurar um profissional de saúde”, finaliza.
Este vídeo é uma parceria com a Revista Ampla.